Señoritas (Caldas da Rainha, 2016/12/03)

Numa noite chuvosa, as Señoritas tomaram o palco do CCC nas Caldas da Rainha com uma performance musical ousada e sombria. Com vontade e capacidade de arriscar e criar algo diferente do normal. 

Quando, em Maio de 2014 actuaram com A Naifa pela última vez na minha terra natal, marcaram-me pela intensidade e paixão com que se entregaram às canções. Com versões de músicas de Vitorino, Três Tristes Tigres, Fernando Tordo, Amália Rodrigues ou Paulo Bragança enquadradas num contexto mais rebelde e antiautoritarista, cativaram-me pela atitude. Essa atitude que me inspirou e levou a querer eu mesmo começar a fotografar concertos. A capturar nem que fosse uma ínfima parte destes espectáculos na forma de fotografias, para a posteridade. E, claro, tentar transmitir essa mesma energia e emotividade nas minhas imagens. O inconformismo de não ficar parado e calado. De não baixar a cabeça. De querer evoluir. De não me conformar com o que sei e tentar ir mais longe com um trabalho em constante evolução.

É raro apanhar-me a mim mesmo a escrever desta forma ou a descrever quem quer que seja desta forma ou sequer a alongar-me tanto na descrição textual de um concerto, mas quando tem de ser, tem de ser. Não criar arte medíocre. Arriscar. Ir aos teus limites. Enfrentar os teus receios artísticos e derrotá-los. Não te preocupes com um ideal de perfeição inalcançável e cria, constrói, faz. Mais que tudo, o importante é a paixão. Este é o subtexto das Señoritas. Que voltem rapidamente.

Trabalho realizado para a Fenther.net.