Circuito Super Bock Super Nova (Stereogun, Leiria, 2019/03/02)

Circuito Super Nova

O conceito Super Nova surgiu no Porto, nos Maus Hábitos e foi lá que teve as suas primeiras duas edições. Depois surgiu o Circuito, cujo obectivo é pegar em 3 bandas da nova música portuguesa e levá-las em tournée durante um período de tempo, possibilitando-lhes condições para se mostrarem nalguns dos melhores clubes nacionais.

Desta vez a estrela brilhou em Leiria, no Stereogun.

A sala estava composta quando os Moon Preachers começaram. Os Moon Preachers são constituídos por Rafael Santos e João Paulo Ferreira, um duo do Seixal que diz ser influenciado pela vida e que retribui em caos. Em Leiria deram-nos um revigorante banho de garage rock, punk e rock psicadélico, terminando o concerto com uma música sobre psicanálise com a qual nos convidaram a dançar - nós obedecemos, claro! O concerto terminou de forma apoteótica com os dois músicos na bateria, deixando o publico com água na boca e vontade de ouvir mais.

No meio, que, diz-se, é onde está a virtude, tocaram os Twist Connection. A banda de Coimbra é formada por Carlos Kaló Mendes, bateria e voz (Tédio Boys, Wray Gunn, Bunnyranch, Parkinsons); Samuel Silva, “o homem mais bonito desde Leiria, Marrazes, Amor até Coimbra” na guitarra; Sérgio Cardoso que “dizem ser o pai do Rock N Roll coimbrense” no baixo (É Mas Foice, Wray Gunn) e Raquel Ralha, “a melhor cantora e baterista do país” (Belle Chase Hotel, Wray Gunn). Quem troca umas palavras com Kaló antes ou depois do concerto, quase não acredita que é a mesma pessoa que ali está em palco, pois ele transforma-se num animal de palco, cheio de histórias para contar e é contagiante. Durante cerca de uma hora respirou-se e dançou-se muito e provou-se que o Rock N Roll está de muito boa saúde e recomenda-se.

Por último entraram os Black Bombaim, um powertrio de rock psicadélico e stoner rock vindo de Barcelos, composto por Tojó Rodrigues, Paulo “Senra” Gonçalves e Ricardo Miranda. Os Black Bombaim roubaram o seu nome aos Mão Morta, o groove do baixo aos Sleep, o fuzz da guitarra ao Hendrix e a bateria em modo locomotiva aos Earthless e foi com estas características que nos deixaram em trance absoluto no passado sábado, em Leiria. Não houve qualquer palavra durante o concerto, mas para a posteridade ficam as palavras de alguém do público que dizia não haver música melhor para fazer o amor que esta... Assim seja.

Texto por Patrícia Rijo.

Foto-Reportagem para a Undertow.