Festival Impulso, dia 1 (Caldas da Rainha, 2019/05/23)

E assim aconteceu no Oeste!

Para os que tiveram o privilégio de assistir a este grande festival, houve concertos, documentários, conversas, residências artísticas em vários espaços espalhados pela cidade, incluindo o idílico parque da cidade.

O Impulso já vai com duas edições. Dois anos de Impulso e a relação entre a ESAD e a cidade das Caldas da Rainha ainda não é de amor. A ideia para o festival surgiu dos 15 anos do Curso de Som e Imagem da ESAD em parceria com a Associação de Juventude das Caldas e houve o cuidado de convidar bandas locais em ambas as edições. Também é verdade que este ano muitos dos músicos que por ali passaram foram antigos alunos da escola, pessoas que passaram pela cidade, aprenderam e criaram a partir dela por isso esta relação tem tudo para dar certo, tudo para que possa vir a ser um amor incondicional. Um amor para toda a vida. Com resmas de publico caldense. Era bom. Adiante.

Esta segunda edição começou na quinta-feira com o ciclo doclisboa, houve conversa na Igreja do Espírito Santo e os concertos começaram às 16h, nesse mesmo local, primeiro com João Pais Filipe, seguindo-se os Lavoisier, que já são praticamente da casa! Às 18h começavam os Mazarin, seguidos dos Melquiades na Antiga Fábrica Bordalo Pinheiro. Tudo isto era de borla, por isso a tanga do ser caro não cola aqui, mas adiante outra vez.

Chegados ao Parque D. Carlos I e ao recinto do Festival, deparámo-nos com uma tenda gigante com dois palcos, um de cada lado: o palco norte e o palco sul, com a régie no meio - Genial! A malta só tinha de se virar e dar pequenos passos para o próximo concerto e depressa, que a coisa era quase automática. Foram os Monday que deram o pontapé de saída, seguidos dos Za!, um conjunto de dois músicos catalães a dar tudo em cima do palco mas a arrancar poucas reações ao parco publico que ali se encontrava, o que partiu o coração aos poucos que os tinham visto no Festival Tremor, em São Miguel. Adiante.

Seguiu-se o resultado das residências, a grande novidade deste ano!

Primeiro com a electrónica harmoniosa de Surma, Tomara e Tiago Bettencourt cujos constantes sorrisos em cima do palco deram para perceber que houve prazer nesta experiência e consequente partilha; e depois com o ponto de interrogação que foi a apresentação de João Pimenta Gomes, Fred Ferreira, Igor Jesus e Pedro Geraldes, a qual meteu o publico a olhar para um palco vazio enquanto ouvia o som a sair de dois computadores na régie. Terminaram com o “Father and Son” de Cat Stevens e muitas dúvidas na cabeça do público! Com Bruno Pernadas o palco vazio deu lugar a um palco cheio de músicos e muito swing! Entre as músicas ouvia-se alguém a dizer que aquela malha era de um anúncio e ia-se buscar mais uma jola enquanto se treinava uns passos de dança. A noite iria terminar quase num transe colectivo, com os HHY & the Macumbas. No centro do palco estava uma figura de costas, com uma máscara, dançando como se estivesse de frente para o publico. Original e viciante!

Tempo de rumar de volta à antiga Fábrica Bordalo Pinheiro, agora transformada em Clubbing para os concertos de Dakoi, Aurora Pinho e Violet B2B Marum. Altura de descansar.

Texto por Patrícia Rijo

Foto-reportagem para a Undertow.