Stereossauro (Lux Frágil, Lisboa, 2019/02/28)

Silêncio que se vai samplar o Fado!

A sala estava esgotada para a apresentação ao vivo do álbum “Bairro da Ponte” de Stereossauro, no Lux.

Em palco estavam os Caldenses Stereossauro, DJ Ride, Nuno Oliveira e Bruno Fiandeiro. Stereossauro e DJ Ride estão habituados a trabalhar juntos até porque foi assim que venceram por duas vezes o campeonato do mundo de scratch e turntablism, como Beatbombers, mas desta vez juntaram-se a Nuno na bateria e Bruno no baixo, dois rapazes vindos de projectos ligados ao rock, pop e mesmo ao punk.

Nuno está ou esteve ligado a bandas como os Bass Off, Memória de Peixe ou os Cerca; já o Bruno esteve ou está ligado a bandas como os UBU, Gomo ou os 74. Para os dois, pegar num disco todo construído com samples e electrónica e transpor isso para o formato de banda foi um enorme desafio, mas também uma enorme honra e orgulho, usando as palavras dos mesmos. Eles trouxeram uma vertente humana à máquina oleada e genial do Stereossauro e foi isso que se viu no Lux: uma festa! A boa disposição entre os quatro foi visível e contagiante!

O álbum chama-se “Bairro da Ponte”. Bairro por alusão ao bairrismo do fado e do hip-hop se pensarmos num sentido de identidade ou de pertença e Ponte porque une duas margens, a do antigo e do moderno ou mesmo a do acústico e do digital, que no álbum se fundem de uma forma absolutamente magistral. Bairro da Ponte é também o nome de um bairro da cidade das Caldas da Rainha, bairro esse que os quatro músicos partilharam enquanto cresciam.

No Lux, fomos levados ao bairro deles em festa! Stereossauro e DJ Ride nos pratos, Bruno e Nuno nos instrumentos musicais. À festa juntaram-se Gisela João, Nerve, Chullage, Papillon, Plutónio e Slow J. Outros como Capicua, Ana Moura ou Dino D’Santiago apareceram projectados em vídeos feitos de propósito para este live act. Para além destes, o álbum ainda reúne nomes como os de Carlos do Carmo, Camané, Paulo de Carvalho, Legendary Tigerman, Holly, Ace, NBC, Razat e tantos outros… Caramba, isto não é para qualquer um, por isso sai uma merecida vénia!

Este é “um disco de música eletrónica inspirado pelo fado” e foi Slow J que disse em tom de brincadeira que “a partir daqui mais ninguém pode fazer discos com samples de fado” por ser impossível fazer melhor, concluímos nós.

Venham de lá mais bairros em festa!

Texto por Patrícia Rijo.

Foto-reportagem para a Undertow.