Festival Impulso, dia 2 (Caldas da Rainha, 2019/05/24)

Segundo dia.

Começamos com mais Doclisboa na ESAD.CR e um documentário sobre os 15 anos do curso de Som e Imagem no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha. Na belíssima Igreja do Espírito Santo, Violeta Azevedo cantava. Às 18h já uma multidão bem jeitosa se juntava na antiga Fábrica Bordalo Pinheiro para ver Sallim e Iguana Garcia.

A verdade é que entre as 14h e as 2.30h não há intervalos, há concertos a começar a toda a hora, isto é a sério – não é para meninos!

Às 20h começavam os concertos no Parque e hoje os primeiros acordes eram dados pela doce filha da terra Nádia Schilling. O concerto com a própria na voz e guitarra teve momentos de intimismo folk, mas também fomos agraciados por uma sonoridade eléctrica intensa, que muito se deve aos músicos que a acompanham: o baixista João Hasselberg (Luísa Sobral, Tiago Bettencourt, Janeiro, entre outros), o guitarrista Pedro Branco (vencedor do Prémio Revelação Jazz 2017) e o baterista Bruno Pedroso (Heróis do Mar, Mler if Dada, Salvador Sobral). Ainda tivemos direito a um convidado especial, Adriano Cintra (ex Cansei de ser Sexy) e honestamente não conseguimos ver uma melhor forma de começar os concertos da noite. Os Beautify Junkyards trouxeram-nos experimentalismo e sonoridades ambientais e cósmicas umas vezes em português e outras em inglês, dando um novo significado à palavra folk.

Era a altura do post-rock instrumental dos Riding Pânico. A banda já anda por aí há uns anos valentes e durante esse percurso ganhou a fama de banda de culto. Aqui mostrou porque é merecedora desse estatuto.

A 15 de Março, os Sensible Soccers lançaram o seu terceiro álbum “Aurora” e vieram ao Impulso mostrá-lo. Vila do Conde, Barcelos e Braga desceram às Caldas para nos darem um concerto em crescendo, começou calmo e terminou numa pista de dança gigante que soube a pouco.

E eis que chega Conan Osíris, ou melhor Tiago Miranda. A tenda rebentava pelas costuras com tanta gente curiosa para ver o fenómeno. Em palco apenas Conan, o seu bailarino João Moreira, um álbum, alguns singles e muita humildade. Muito comunicativo, falou muito entre cada música, sempre com um grande sentido de humor. Logo no início meteu-se com os fotógrafos que após várias músicas continuavam a sacar chapas, perguntando “Mas vocês ainda não tiraram fotografias suficientes?”. Falou do tempo em que passou na ESAD, nomeadamente de um Caldas Late Night em que fez um vídeo a cantar o QMD. Apresentou-se com uma t-shirt escrita em árabe… O publico ficou rendido desde os primeiros segundos em que se ouviu a voz do artista. Muitos cantavam em uníssono as suas letras e todos quase sem excepção dançaram como se não houvesse amanhã. Houve uma invasão de palco, a pedido do cantor durante a música Celulite. Na música Amália, o bailarino desapareceu e cedeu o palco a Conan que o usou de forma intimista. Brincaram ambos com o encore que aconteceu mesmo e terminaram o concerto de forma apoteótica com o QMD. Foi incrível o que se viveu ali. Épico mesmo. Uma tenda gigante rendida a dois tipos que não brincam em serviço e sabem muito bem o que andam a fazer. Respect.

Allen Halloween e a sua ODC Gang teve as honras de fechar a noite no Parque e havia muita gente à espera dele. O rapper da linha de Sintra trouxe o seu rap de letras directas e temas crus às Caldas e fez-se acompanhar pelo seu publico fiel, como ficou provado por uma das conversas em palco em que um dos elementos da sua crew olhando para o publico disse “Allen, aquele rapaz está em todos os nossos concertos” ao que o mesmo respondeu com humor “Obrigado! Se eu jogasse noutra equipa, levava-te comigo para casa”. Brincou ainda com o símbolo das Caldas e perguntou como era possível que as feministas ainda não tivessem respondido a isso... Hip hop à moda antiga, brutal por vezes, genuíno e com muitos seguidores fechava a noite aqui.

No caminho entre o parque e o clubbing para ainda ver A Lake by the Moon, Pedro Mafama e DJ Marfox, ouvimos alguém a dizer “Parecia-me o cheiro a alecrim, mas acho que era ganza”. Rimos e dissemos adiante!

Texto por Patrícia Rijo
Foto-reportagem para a Undertow.